PAIXÃO DE CRISTO

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém segue até sábado

Juliano Cazarré interpreta Jesus no espetáculo encenado há 52 anos em Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco

20/04/2019 00h49
Por: Roberto Murilo
Fonte: Daniel Medeiros
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Paixão de Cristo de Nova Jerusalém Foto: José Britto
Paixão de Cristo de Nova Jerusalém Foto: José Britto

 

A atual temporada da "Paixão de Cristo de Nova Jerusalém" espera atrair um público superior a 50 mil pessoas. Uma meta que deve ser cumprida até este sábado (19), quando o espetáculo realiza sua última sessão do ano, a partir das 18h, no município do Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco. Comemorando 52 anos de tradição, a montagem agrega cenografia arrojada, elenco repleto de estrelas e uma história que encanta fiéis cristãos do mundo todo. 

Acostumado ao cinema pernambucano, com atuações em "Boi Neon" e "Febre do Rato", o gaúcho Juliano Cazarré agora vivencia também o teatro local. É dele a missão de interpretar Jesus, que para ele não é apenas mais um personagem. À imprensa, após a pré-estreia da peça, o ator falou sobre como sua relação com a fé mudou nos últimos anos. 

"Minha mãe é espírita e minha avó era muito católica. Fui batizado e cheguei a fazer Primeira Comunhão. Fiquei muito tempo afastado da religião, mas sentia que algo faltava em mim. Voltei a frequentar as missas, me confessei a um padre e fiz as pazes com a minha fé. Acho que essa ligação com o divino é uma das coisas que nos faz humanos", conta. 

Para interpretar o personagem, Cazarré buscou suporte em diferentes textos. "Foquei muito na Bíblia. Desde dezembro, ando lendo e relendo o Novo Testamento, além de textos menos ortodoxos, que aproximam os ensinamentos de Cristo à ioga antiga e ao budismo. Estudei tudo isso, sempre respeitando essa figura que é central para várias religiões", afirma.

Namorados na vida real, Priscila Fantin e Bruno Lopes vivem Maria e o apóstolo João, respectivamente. Ambos destacaram a dificuldade de fazer um espetáculo deste porte, com dublagem. "É um trabalho totalmente diferente de tudo o que eu já tinha feito na TV, no cinema e no teatro. É estranho, a princípio, ter que dublar em cena, porque o nosso corpo fala de formas diferentes em cada momento. Fico admirada com a exatidão com que tudo é feito", comenta Priscila. "O espetáculo já tem uma fórmula pronta e atores que já fazem isso há muito tempo. Por isso, a gente precisa se adaptar e entender como tudo funciona", completa Bruno. 

Segundo Gabriel Braga Nunes, que faz o papel de Pilatos, participar da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém era um sonho que ele alimentava há muito tempo. "Desde os anos 1990, eu conversava com os produtores sobre a possibilidade de fazer a peça. Por conta das agendas de gravações das novelas, eu nunca conseguia. Por isso, estar nesse palco é uma satisfação enorme", revela. 

Ao interpretar o vilão Herodes, o ator Ricarco Tozzi, diz ter encontrado muitas semelhanças com os tempos atuais. "Herodes valoriza tudo o que a nossa sociedade quer: dinheiro, poder e sexo. Acho que, se ele vivesse nos dias de hoje, estaria mostrando todas as suas coroas no Instagram", brinca. 

Ao todo, 450 atores e figurantes atuam no espetáculo sob a direção artística de Carlos Reis e Lúcio Lombardi. O elenco conta com mais de 50 atores e atrizes pernambucanos, entre eles, Ricardo Mourão (Caifás), Nínive Caldas (Madalena), José Barbosa (Judas), Júlio Rocha (Pedro) e Rafaella Carvalho (Herodíades). Cerca de 600 profissionais, incluindo técnicos, eletricistas, sonoplastas, maquiadores e costureiras, participam da produção. Os ingressos custam a partir de R$ 60 (meia-entrada) e podem ser comprados na bilheteria do local, e no site do espetáculo. 

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